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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

OS MELHORES CONTOS E POEMAS DE 2013 DA CBJE


Amigos acadêmicos e leitores deste blog:


Dia 15 de dezembro de 2013, a Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE, Rio de Janeiro - RJ) fará o lançamento de dois livros: "Panorama literário brasileiro - os melhores contos de 2013" e "Panorama literário brasileiro - as melhores poesias de 2013". Os contos e poemas foram selecionados, este ano, pela Litteraria Academiae Lima Barreto (Rio de Janeiro - RJ), em colaboração com a CBJE. Dentre os contos selecionados está "Madrugada gelada" e dentre os poemas está "Democracia da chuva", ambos de minha autoria. Para ler o conto ou o poema basta clicar sobre o título escolhido.

sábado, 23 de novembro de 2013

A FESTA DO 9o. ANIVERSÁRIO DA ACADEMIA




DORA, POR QUE VOCÊ NÃO FOI?

Resposta da Dora:

“Meus queridos amigos,

Quero me desculpar por, com a minha ausência, ter estragado a sua festa  de aniversário da APL.  Sei que a minha presença era indispensável para o brilho e a alegria da comemoração, mas vou tentar explicar a vocês o motivo de tão lamentável falta, provocando consequências tão desastrosas para vocês.
Eu  havia me produzido toda, ido ao cabeleireiro, manicure, posto o meu pretinho básico (conforme recomendado pela Eugenia), escolhido os melhores acessórios, sem ter esquecido a medalha e o pin.  Como estivesse ansiosa à espera da festa, quando finalmente me considerei pronta, vi que tinha me adiantado e que ainda era muito cedo para sair.  Então resolvi sentar-me confortavelmente no meu cantinho de leitura e saborear nosso livro, embalada pela chuva.

Deliciei-me com os textos do nosso maravilhoso livro: 

A declaração de amor da Elizabeth Watanabe a Itanhaém.
Sentimentos fluindo em dutos na chuvavia  do Henrique.
Concordei com Pedromar que feitos imaginados nos fazem tão felizes como se reais fossem.
E o Luiz Claudio, tão apaixonado! Lindo!
A Lina tem razão: a Natureza é inspiradora de poesia.
E a Malu, como boa bruxinha, é a única que entende a linguagem dos animais.
E a sempre deliciosa e intrigante conversa entre o escritor e seus personagens, da Scheila?
Você, Maria, tem razão, deveriam existir muito mais pessoas que espalham felicidade por onde andam, e felizes somos nós que as encontramos.
Fiquei feliz pela Vera, pela rica herança recebida da mãe.
Achei a poesia da Thereza muito linda e acertada, com exceção de um detalhe:  para se fazer um bom verso não é preciso fortuna, como bem provam os inúmeros ótimos versos que ela já fez.
Quanto a “A MARMITA” da Ecilla, conseguiu dois notáveis efeitos:  divertir os leitores e ensinar ao narrador nunca mais levar feijão – pelo menos com caldo – na marmita.
Tem razão a Carmen Lúcia, trilhar o caminho do aprimoramento, que afinal é o sentido da vida.
A Susana do Jorge me fez derramar uma lágrima de saudade da minha Josephine.
E que maravilhosa encrenca a Eugenia arrumou quando acordou naquele dia e quis fundar a Academia!
A sábia Martha soube escolher o seu caminho!
Me emocionei revendo a saia da mãe da Christa, apesar de ter achado falta do seu remate.
Espero que  Marcos, em sua busca, encontre a plenitude e deixe a tristeza pra trás.
Tomara houvesse mais sonhadores como o da Esther.
Adorei a surpreendente tagarelice do Edwaldo.
Parece que a traição sofrida pela personagem da Walkiria está se tornando cada vez mais comum!

Fiquei tão entretida com a leitura que me esqueci do tempo passando, e quando terminei e voltei à Terra, constatei  que já era uma hora da manhã! Fiquei desesperada, não acreditei, conferi em todos os relógios da casa, e finalmente tive de me conformar que realmente  havia perdido a hora!  Mas, teimosa, resolvi ir assim mesmo, pensando que certamente vocês ainda estavam lá me esperando.  Saí de fininho, pra não acordar o marido, que naturalmente já dormia a sono solto havia horas.  Mas qual não foi a minha decepção quando cheguei e vi tudo escuro, fechado e deserto.
  
Agora a sério:  prometo que ano que vem compareço sem falta à festa de comemoração do 10º aniversário da nossa querida APLetras.  Isso se eu ainda estiver por aqui;  se não, vou estar com vocês em pensamento e sentimento, como estive este ano”.

Dora

terça-feira, 5 de novembro de 2013

HOMENAGEM: ESCRITORA DO MÊS DE NOVEMBRO

RACHEL DE QUEIROZ

(*Fortaleza, CE, 17 de novembro de 1910 / +Rio de Janeiro, 4 de novembro de 2003)

Poema “Telha de vidro”

Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...

A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...
Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que — coitados — tão velhos
só hoje é que conhecem a luz do dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.
Que linda camarinha! Era tão feia!
— Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você não experimenta?
A moça foi tão bem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!
Rachel de Queiroz


Rachel de Queiroz foi a primeira mulher a entrar na academia brasileira de Letras

"[...] tento, com a maior insistência, embora com tão
precário resultado (como se tornou evidente), incorporar
a linguagem que falo e escuto no meu ambiente nativo à
língua com que ganho a vida nas folhas impressas.  Não
que o faça por novidade, apenas por necessidade. 
Meu parente José de Alencar quase um século atrás vivia
brigando por isso e fez escola."
(Enviado pela acadêmica Malu Freitas)