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CONVERSAS DE E-MAIL

SUMÁRIO

Deus e o Diabo na terra das ideias
Liberdade de expressão (Título provisório)


Esta conversa deu-se entre os dias 22 e 27 de junho de 2015. São diálogos francos, livres e respeitosos, mas sem perder o bom humor, sobre Deus e o Diabo e as nossas crenças


Ecilla
Queridos Confrades. Nossa quarta reunião geral acontecerá na próxima QUINTA-FEIRA - DIA 25 DE JUNHO DE 2015 ÀS 19:30 HORAS NA SEDE - AVENIDA PADRE ANCHIETA 4297
Os temas sugeridos, pelo nosso Diretor Cultural, Jorge Braga, são:
Primeira transmissão de TV no Brasil
Dia do Porteiro
Dia do Turista
Dia Universal de Deus
Dia do Imigrante 
E o Tema Livre, claro
OBS: Estou incluindo o Dia Universal de Deus, pois o Jorge fez uma observação interessante: haverá, também, Dia do Diabo?

Eugenia
Eugenia
Fiquei preocupada com esse “Dia de Deus” pois pode conduzir a abordagens religiosas. Sei não...




Ecilla
Ecilla
Estou retirando o tema DIA DE DEUS. Por dois motivos: primeiro, como bem lembrou o Ricardo, nosso Estado é laico. E segundo, como lembrou a nossa Presidente, nosso Estatuto não permite discussões religiosas nem políticas. Mantive esse dia por ter achado "absurdo". Favor considerarem deletado.


Henrique
Henrique
Cara Ecilla, A principal questão aqui é saber qual Deus seja esse e a qual time de crentes Ele pertence. Existem vários “Um único Deus” cultuados por aí o que prova que o mundo continua politeísta...
Já o Diabo, que perdeu a sua aura de chifres flamejantes, é cultuado diuturnamente pelo mundo afora e não precisa de nenhum dia em especial.Vade retro satana, chô...

Ricardo
Ricardo
Prezada Ecilla,
poderíamos então discutir Deus e a literatura ou aspectos culturais da crença em Deus. Aí, já que Henrique se lembrou do triste personagem, podemos incluir a figura do Demo e suas manifestações. Parodiando Glauber Rocha, poderíamos intitular o debate como "Deus e o Diabo na Terra da Política & outros absurdos" rsrsrsrrs.

JorBS
Jorge

Caro Ricardo,

Há tempos andei lendo uma autora que analisa Deus na Bíblia do ponto de vista literário. Se fizermos isto hoje na Academia, à moda dessa autora, sei não se não haveriam reações um tanto quanto nervosas. Quero dizer, mais nervosas que o usual.

Discutir Deus, o Diabo, religião, política e sei lá o que mais não pode. Outro dia falávamos sobre liberdade de expressão. Não é isso um tipo de censura instituída e também aceita tacitamente com um suspiro quase geral de alívio?

Minha opinião? Eu acho que TUDO, ou praticamente tudo (Para não descambar para o desconhecido absoluto), pode e deve ser discutido em um ambiente acadêmico, SE as pessoas estiverem preparadas para o livre embate das idéias, ou seja, se elas aguentarem fazer isto sem escorregar para fora do domínio da civilidade e do respeito. Refiro-me aqui a uma discussão séria e civilizada como acho que é a sua proposta, não aquela coisa horrível de "O meu deus é mais único e verdadeiro que o seu".

Mas o mundo está passando por mudanças. Basta uma rápida pesquisa na internet para vermos a guerra "Religião X ateísmo" ou "Evolução X Criacionismo" que se trava no mundo virtual. E não é só la nos USA não, aqui no Brasil também. E no mundo real, até o Datena já foi processado por proclamar em seu programa que quem comete crimes bárbaros é ateu. A justiça deu ganho de causa à sociedade ateia que se sentiu ofendida e protestou na justiça. Depois o Datena bradou às câmeras da TV que estava sendo CENSURADO. Ele confunde incitação ao preconceito com liberdade de expressão. Ou finge isso.

Suspeito que, apesar dos nossos altos brados pela liberdade ABSOLUTA de expressão, somos na verdade censores seletivos... Certas coisas não podem ser discutidas ou ditas. Ainda não estamos preparados?


Dalmir
Dalmir
UM BOM TEMA A SER DISCUTIDO





Ecilla
Ecilla
Jorge
O principal problema da religião é o fanatismo. A partir dele, cada qual se acha o dono absoluto da verdade. O ateu tem parte com o diabo e por aí vai.
As guerras atuais no Oriente Médio são religiosas. Em pleno século XXI.


Edwaldo
Edwaldo
Caros acadêmicos colegas e amigos,
Que tal se o tema fosse simplesmente "Deuses"? Que parece literariamente inspirador, sem que se corra o risco de pugilatos titânicos entre Javé e Alá.



Ricardo
Ricardo

Prezado Jorge,

concordo com você.

Eu não sei se consta no estatuto da APLetras de que não se discute religião e política. Acho que não há nenhum empecilho, já que são manifestações culturais.

Tratando ambos os temas como fenômeno cultural, não vejo problemas. Esta coisa de não ser permitido discutir religião ou política - alguns também querem ai incluir o futebol - me parece mais coisa do período da ditadura. Quem atualmente ainda segue esta linha são os regimes islâmicos. "Aqui não se discute religião, porque é evidente que a melhor é a nossa!

Acho que na APLetras não temos aiatolás, militantes fanáticos do PT e nem membros da Gaviões da Fiel (sou corinthiano!) rsrsrsrsr


Edwaldo
Edwaldo

Queridos amigos,

Também concordo plenamente com as opiniões dos confrades Jorge e Ricardo. Está havendo patrulhamento das ideias em demasia. Isso cerceia a imaginação e a espontaneidade criativa. Está-se oprimindo a livre expressão em nome de valores dúbios, que jamais se definem e que eclodem ao sabor de modismos antipáticos que se propalam com a fúria de boato maldoso, impondo-se e substituindo-se uns aos outros a cada dia que passa, ao capricho de mentes

Exijo que me critiquem e falem mal de mim, e que eu possa falar cobras e lagartos de quem quer que seja, em plena liberdade, e que nenhuma das partes corra por isso risco de ser processado e preso. Ora, não faz muito, uma pessoa declinou da honra de fazer parte da APL por não concordar com a pauta da reunião, a qual contemplava o tema do Dia das Bruxas. Censura absurda, tanto quanto vedar a que se fale de Deus (com o sem maiúscula).


Ecilla
Ecilla
Confrades,
Bem lembrado, Edwaldo, o episódio daquela senhora que queria vir a minha casa ler a Bíblia para mim e me ensinar que bruxaria é pecado e recusou-se a entrar para um grupo onde se tratava do tema.


Henrique
Henrique

Sobre o Dia do Deus Universal: O Congresso

Outro dia, há bilhões de anos no Espaço-Tempo, ocorreu mais um Congresso do Deus Único Universal. Como sempre acontece nessas ocasiões todos os Únicos foram convidados para esse evento que, em última instância, busca normatizar e regular a profissão de Deus Universal. O controverso tema, como todos sabem, é universalmente recorrente e eterno entre as facções do Todo Poderoso. Segundo a Ata dessa última reunião, essa Cúpula foi uma daquelas de discussões mais tensas e iradas de todos os últimos tempos eternos, chegando muitas vezes a ocorrerem raios, trovões e tsunamis entre os debatedores. Tupã, o representante brasileiro e que só participou na condição de observador convidado, já que não ocupa um lugar permanente no Conselho de Segurança, foi um dos que mais esbravejou naquele memorável encontro, demonstrando toda a sua insatisfação com a estonteante queda de popularidade. E isso era devido, sem dúvida nenhuma, à ação nefasta da imprensa celestial engajada e rancorosa. Na ocasião, Javé argumentou com Tupã que essa diminuição era devido em grande parte à sensível queda no número de seus filiados pagantes e à politica indigenista da Funai. Além disso, esse negócio de trovoada não assustava mais ninguém nos dias que se seguiam. É mesmo? retrucou o brasileiro. E por acaso, quando foi a última vez que Vossa Deusência separou um marzinho oceano, hein? E parou a Terra que é redonda? Diz aí, cumpanheiro! Alá manteve a opinião de que o pacote especial que Ele oferecia de um Paraíso com setenta virgens era o melhor que havia no mercado para os homens, já que as mulheres não contavam. No mais, a política correta para a humanidade era o do táca-lhe pau. Brahma, sempre falando em nome de Vishnu e Shiva, lembrou que um mundo sem castas era o caos. Além disso, o importante era o povo esquecer a fome, fazer yoga e meditar sobre a vital importância das vacas sagradas e do banho matinal no Ganges. Buda, sempre em atitude zen, disse que toda essa discussão era inútil, já que a mente não era esvaziada nunca. Ninguém pode pensar direito se a mente estiver cheia de pensamentos, certo? Esse foi um momento de impasse geral. Todos os Outros ficaram olhando para Ele esperando maiores detalhes sobre essa ideia, entretanto, Buda permaneceu absorto e um dizendo um gutural OM que até deu um calafrio na espinha dos presentes. Nas galerias, os deuses romanos brigavam com seus tios gregos, enquanto Rá discutia com Hórus sobre essa novidade nojenta que era o horário de Verão. Um Deus do Meio Dia não pode ficar atrasando ou adiantando o relógio toda hora só por causa da economia de energia. Assim não dá, porra! Jesus, geralmente muito humilde, era um dos mais entusiasmados quando o seu Pai falava e incendiava um vaso de salsa que enfeitava a mesa redonda. Já os Deuses celtas em meio a um memorável porre e facilmente identificáveis por causa de suas camisetas estampadas escrito Stonehenge Já!, promoviam um encontro paralelo na rua em frente e que terminou em pancadaria grossa de martelos e machados voando quando Thor chegou com seus vikings para um abafa geral. A nota picante desse Congresso ficou por conta de umas pitonisas gregas com os seios de fora e que lutavam contra o ajuste fiscal do Pantheon. No mais, serenados os ânimos, nada de importante foi registrado nesse Congresso.


Ricardo
Ricardo

Henrique,

vou tomar a liberdade de fazer um adendo à história.

Enfim, o Congresso do Deus Único Universal corria solto. Segundo cálculos da divindades hindu Ganesha, o simpósio já estava durando quase a metade de um kalpa (2,1 bilhões de anos) e não se havia chegado a conclusão nenhuma. Dioniso, sempre quando consultado pela ala grega do Congresso, estava bêbado e mal podia falar. Cronos, sempre mal humorado, lamentava os tempos atuais e relembrava a feliz época em que devorava seus filhos.

No intervalo do Congresso, depois do primeiro painel que tratava da questão do mal no mundo, Jesus e Lúcifer começaram a discutir sobre qual dos dois teria a primogenitura. Lúcifer dizia ter sido criado antes, mas ter sido expulso do céu por causa de uma querela familiar. Jesus argumentava ter estado sempre com o Pai. Alguns arcanjos e querubins, que estavam por lá contratados para servir o coffee break, sugeriram que se se consultasse Deus, Eli ou Jeová (que nem todos sabiam ser a mesma pessoa). Então foram procurar "Aquele que é". Belzebu e Asmodeu, responsáveis pela portaria, responderam que Deus havia saído, pois precisava urgentemente resolver um problema conjugal entre Eva e Adão. Surgido o impasse, Lúcifer teria dito a Jesus que poderiam resolver a questão no final dos tempos.

No encontro paralelo, que se realizava em outra ala do hotel, na rua oposta, "o pau comia solto" (como se diz na gíria infernal). Loki, irmão de Thor, e que sempre queria ter a primazia sobre seu irmão em relação ao pai Odin, aprontava mais uma das suas. Aqui precisamos fazer um parêntese. A questão da rivalidade Lucifer/Jesus e Loki/Thor já havia sido percebida por outros deuses. Asclépio, deus grego da medicina, já havia sido chamado por ambos os pais algumas vezes, para ajudar na reconciliação dos irmãos. Mal humorado e cheio de outros afazeres, Asclépio disse que em ambos os casos se tratava do complexo de Édipo. O diagnóstico revelou surpresa, tanto do lado semita, quanto germânico, já que nenhum dos filhos tinha uma mãe. Cronos, passando por perto e ouvindo a conversa, disse que Édipo, rei de Tebas, ainda não havia nascido e que Freud "aquele humanozinho que mais tarde vai estudar todas estas baboseiras", só nasceria dali a duas kalpas (1 kalpa = 2,4 bilhões de anos).

Mas voltando a Loki e Thor. Estes estavam se digladiando violentamente. Odin estava encostado no balcão, tomando seu 15º tambor de hidromel e nem queria saber da confusão armada pelos filhos. "No final tudo se acerta. Esperem mais alguns kalpas e todos desapareceremos no Ragnarök".

Fato interessante ocorrido durante o Congresso foi a presença de um mortal. Não tendo sido convidado, esgueirou-se para dentro do evento passando pela caverna de Platão, disfarçado de profeta Zarastustra. Deu a desculpa que estava atrasado e que vinha trazer um recado para seus deuses; Ahura Mazda e Ahriman. Estes, na verdade, foram mais tarde imitados pela dupla Jesus/Lucifer, pois também representavam o bem e o mal. Mas esta é outra história que deixo para os exegetas e teólogos.

Pois bem. Este mortal, conhecido como Friedrich Wilhelm Nietzsche, queria aproveitar um congresso de tão retumbante sucesso como aquele, para lançar seu mais recente livro. Sem que ninguém desse muita atenção, armou uma mesa na frente da sala onde o tema da discussão seria "O Deus que pode mudar a sua vida". Passados alguns minutos, o deus grego Pã passou pela mesa, pegou um livro e começou a folhear o exemplar. "Hmmmm, interessante! Isto vai deixar meus colegas de cabelos e barbas em pé"! Nietzsche estava vendendo seu mais recente lançamento "O crepúsculo dos Deuses (Ídolos) - a filosofia a marteladas".

Logo outros deuses que passavam por lá examinaram a publicação. Buda, sempre com seu jeito tranquilo, "cool", perdeu alguns minutos com o livro e depois devolveu-o ao filósofo dizendo: "Feliz aquele cujo conhecimento é livre de ilusões e superstições." Javé e Alá mal pegaram a publicação quiseram agredir o pequeno homem, tentando arrancar seus vastos bigodes. Jesus também leu algumas sentenças, largou o livro, e entrou melancolicamente no seminário, já que seria um dos palestrantes.

Ninguém sabe quando e como terminou o tal Congresso do Deus Único Universal, nem eu. Peguei apenas as últimas palestras. Uma delas, dada por um pastor brasileiro chamado Eudir Macedo, arrancou estrondosas gargalhadas da platéia. Na saída, encontrei o confrade de academia Henrique Natividade, que havia feito muitas anotações sobre as palestras das quais havia participado. Tomamos uma cerveja, pegamos o ônibus que nos trouxe de volta a Peruíbe e ainda deu pra ver um belo pôr do Sol.


Henrique
Henrique

Caro Ricardo,

Excelente adendo, afinal as Atas Celestes nunca registram tudo tintim por tintim.

E os cartórios, geralmente, não reconhecem a firma


Edwaldo
Edwaldo

Soberbo! Só faltou uma presença conspícua nesse simpósio supremo, a fim de torná-lo um escracho total. Luís Inácio, o paracleto do povão brasileiro.




Ricardo
Ricardo

Prezado Henrique,

escutei falar que o Congresso do Deus Único Universal acabou descambando em pancadaria. Entre mortos e feridos, ficou acertado que aquele pastorzinho engraçado, o Macedo, poderia a partir de então usar o nome "Universal". Outros grupos evidentemente reclamaram de tal decisão, mas a coisa não deu em nada.

Os promotores do evento, satisfeitos com o sucesso do congresso estão preparando um outro com o título: "Eram os deuses astronautas?"


Carolina
Carolina

Admiro o modo descontraído e ao mesmo tempo profundo com que o presente assunto é tratado pelos membros da APL. Já externei minha opinião a respeito em âmbito restrito e não sei se terá sido aberto aos demais caros Confrades;

Atravessamos tempos árduos, e desagradáveis. Corrupção, decadência de costumes, prepotências governamentais, etc. etc.

Tempos materialistas em excesso e dissociados dos cânones religiosos, o que,( excluindo fanatismo) , não me parece o desejável.

Guardar um Deus no coração, é algo como um tesouro a ser preservado pelos que têm Fé! E falar sobre esse Deus sem prepotências, não pode ofender, nem ferir a ninguém!

Desde que haja elevação no trato e respeito mútuo, entre as facções, não é mau e nem menos importante, que várias opiniões e conceitos sejam expostos, analisados, aceitos ou ou rejeitados , mas sempre como oportunidade de serem debatidos dentro dessa fraternidade que sinto existir na Academia Peruibense de Letras, que, para minha satisfação, acaba de me acolher e que acolhe também não só católicos, como sou, mas também uma considerável diversidade de credos.


3 comentários:

  1. Muito boa essa "conversa".A troca de e-mails sobre a "fogueira cívica" também deveria entrar aqui (está em outra aba).

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    1. Estará em breve. Inclusive podemos resgatar outras conversas

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  2. Aos queridos amigos,confrades e confreiras da APL. desejo uma Feliz Páscoa com muita Paz, e bençãos de JESUS!

    ESTHER FELICIDADE

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