Time Coletaneas
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EUGENIA FLAVIAN

C O N V E R S A S:


Afinal, o que querem os escritores e seus leitores?


"Há leitores que acham bom o que a gente escreve.
Há outros que sempre acham que poderia ser melhor.
Mas, na verdade, até hoje não pude saber qual das duas espécies irrita mais".
Mário Quintana (citado por Malu Freitas)

Há escritores que acham ruim o que eles escrevem.
Há outros que acham que poderia ser pior.
Mas, na verdade, até hoje não pude saber qual das duas espécies se ufana mais....
Eugenia Flavian (parafraseando)

Quando os leitores acham bom o que eu escrevo, me incentivam.
Quando acham que poderia ser melhor, tento melhorar.
Mas o que me irrita mais é quando não compram...
Esther Felicidade (sempre sincera)

Há leitores que dizem que é bom o que a gente escreve e compram.
Há leitores que dizem que é ruim o que gente escreve e não compram.
O problema é quando o segundo caso torna-se frequente e o primeiro raro.
J. Braga (Não basta ser bom, é preciso ser lido)


O RESGATE

10/05 – 08h07
Mensagem enviada (bem cedinho) por Gretel à Eugenia, que atendeu ao chamado (bem mais tarde) e repassou a mensagem:

AVISO URGENTE ! ! ! A toda a sociedade brasileira: precisamos da sua ajuda!!!
Um comando guerrilheiro seqüestrou todos os deputados dos seguintes partidos:
PT, PTB, PL, PP, PDT, PSB, PSDB, PFL, PMN, PRN, PAN, PCdoB, PHS, PRP, PRTB, PSC, PSDC, PSL, PTdoB, PTC, PTN, Prona e PMDB.

Os seqüestradores estão solicitando US$ 10.000.000,00 para libertá-los. Se a exigência não for cumprida em 24 horas, vão banhar os parlamentares com combustível e os queimarão vivos. Estamos organizando uma coleta e necessitamos da sua ajuda !!!!!!
Veja o que conseguimos até agora:

-580 litros de gasolina aditivada
-320 litros de gasolina premium
-125 litros de diesel
-175 de gasolina convencional
-38 caixas de fósforos
-21 isqueiros
Não mande álcool, que poderá ser consumido pelos deputados.
Aceita-se também botijão de gás (boliviano, enquanto ainda tem).
AJUDE ! O BRASIL PRECISA DE VOCÊ !!!

10/05 – 11h23
Resposta de Henrique, que imediatamente aderiu ao pedido de socorro:

Prezados brasileiros de fé,
Desesperado com esta situação do vai-e-não-acontece-porra-nenhuma e certo de estar cumprindo com o meu dever cívico com a Nação brasileira, coloco à disposição o seguinte material abaixo discriminado:

- 12 fardos de algodão cru;
- 2 carroças de galhos secos de eucalipto;
- 2 baldes de capim seco a granel;
- 8 sacos de carvão;
- 33 kg de jornal;
- 1 (um) fardo de PET, prensado e pronto para reciclagem;
- 1 (um) armário de imbuia bichado em bom estado de conservação;
- 2 latas de óleo de soja;
- 6 mde carpete verde desbotado.

Henrique
(P.S.) Também me proponho a soprar a fogueira, desde que haja alguma cerveja para o calor que vai fazer.

10/05 – 17h00
Resposta de Washington, preocupado com o material consumível:

Ó, Henrique! Agora eu sei por que o senhor quer a minha coleção de jornais velhos... é para alimentar a fogueira joanadarcqueana.... vai, não!!!!!

Grande abraço,
Washington

10/05 – 19h32
Resposta de Ecilla, que tem outros compromissos:

Meus queridos confrades e confreiras:

Fico realmente penalizada, mas... preciso economizar para as Fogueiras de Santo Antonio (ele é casamenteiro, lembrem-se!), de São João (ele é o nosso Padroeiro) e de São Pedro (que abre as portas do céu.  De repente...).  Por isso, não posso contribuir.

Anthony Garotinho também foi ou morrerá de fome no hospital onde está internado?

Vou rezar para que, entre mortos e feridos salve-se todo o povo brasileiro!!!!
Beijos,
Ecilla

11/05 – 10h02
Resposta de Zé Maria, preocupado com a poluição:

Naturalmente seria de grande satisfação colaborar com vocês para a fogueira que querem promover.  Pelo visto, todos já colaboraram com tudo o que pode ser inflamável, desde que não seja tão inflamável como os discursos das futuras vítimas incendiadas. 

O que me resta de dúvida é onde juntar as cinzas. Jogá-las ao mar pode causar transtornos incorrigíveis para nossa Iemanjá,  rainha do mar. Jogá-las aos quatro ventos poderia aumentar nossa poluição ambiental, da qual felizmente estamos ainda livres, a não ser que isto seja feito na Capital do Estado. 

Sugiro, efetuada a cerimônia, que elas sejam atiradas nos gelos da Antártica, que enquanto não derreterem e se tornarem parte de nossos litorais, manter-nos-emos livres de tal poluição. Good idea. 
Beijos e transmita aos demais amigos a minha colaboração.
Zé Maria.

11/05 – 17h15
Resposta de Henrique a Washington

Washington,

Por problemas técnicos, o e-mail que imaginei ter mandado, não foi, ficou no rascunho.
Bom, sobre a fogueira cívica, a coleção do Acontece jamais iria alimentá-la. Eu me referia a 30 quilos de jornais do tipo "Kibom-que-agora-é-oficial" cujo papel não reciclável é o apropriado para tais ocasiões. Também são indicados para esse uso, promessas de campanha, programas de governo, falácias de posse e de entrega de cargos, entrevistas sobre as realizações entre uma coisa e outra, etc.
Um abraço,
Henrique
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Castro Alves no ar

por Eugenia Flavian

            Dedicado ao fisioterapeuta Osvaldo Almeida

Deus, ó Deus,
            onde estás que não me acodes?
Em que nuvem,
            em que ventania me sacodes?

“Atenção senhores passageiros:
vamos enfrentar certa turbulência.
Não se aflijam. Tenham paciência.
Fechem bem seus bagageiros.”

- Querida, falta muito pra chegar?
- Não, querido. São só alguns minutos no ar.
  Acalme-se, amor. Pare de suar!

- Acontece que quero pisar o chão,
  quero os aparelhos na minha mão !
  Deus, ó Deus, quero sair deste avião !!!

                                                              ==============

Carta enviada pela Acadêmica Gretel Eres Fernández ao jornal Agora São Paulo em 06.12.2006.

Senhor Editor,

   Que São Paulo sempre foi uma cidade que acolheu muito bem os migrantes e imigrantes, todo mundo sabe. Gente que vem das mais diferentes partes do mundo em busca de melhores condições de moradia, de trabalho, de estudo, em suma: em busca de (melhores) oportunidades. São pessoas em variadas situações que esperam encontrar aqui caminhos para progredir.
   O que até este momento ninguém sabia é que em São Paulo a possibilidade de ressurreição também existe. Porém, graças ao Jornal Agora, isso não é mais segredo. Quem leu a edição número 2.817 de hoje - 06/12/06 - deve ter ficado tão empolgado quanto eu ao ler a manchete estampada na primeira página: "Pedreiro morto veio da Bahia para tentar a vida". O que, infelizmente, o Jornal não explica é o meio de transporte utilizado pelo infeliz cidadão, mais uma vítima das enchentes da cidade.
   Se as autoridades pouco fazem para solucionar os grandes e graves problemas da capital paulista, não devemos valer-nos desse mesmo princípio no que se refere ao uso do nosso idioma. Cabe a todos nós e àqueles que se dedicam a informar, usar de maneira adequada a língua portuguesa. O cidadão morreu. O idioma também?


Profa. Dra. Gretel Eres Fernández
Membro Correspondente da Academia Peruibense de Letras


Lucubrações do acadêmico Henrique Natividade sobre carta anterior.

Cara Gretel,

            Muitas são as insondáveis questões que nos assolam. Diria mais. Elas não chegam apenas do solo, mas também nos atetam, frase aqui entendida no mais estrito sentido gaulês do termo, isto é, de que o teto um dia nos cairá na cabeça. Na verdade, estamos espremidos entre o solo e os céus que nos ameaçam com suas potestades. É a famosa "Síndrome do Sanduíche" como provou Sir Mc Negg Bacon em sua magistral obra: Fried chicken, forever and never, Harvard University Press.            O caso do baiano morto que aqui nos chegou tentando a vida, é um desses mistérios que pode conduzir alguns nisseis menos avisados ao suicídio, ao hara-kiri. O cara fica sem  saída.
            Isto nos leva ao estudo da língua da portuguesa. Todos nós sabemos que as portuguesas possuem línguas mas, freqüentemente, nos esquecemos de que possuem grandes bigodes e usam tamanco de noite para ir ao banheiro.
            Ora, mesmo em Lisboa e nos grandes pequenos centros portugueses, este comportamento tem sido contestado por vanguardistas do porte de Joaquim Manuel Fernandes ou até mesmo de extremistas como Manuel Joaquim Fernandes.
            Numa última análise, a crítica, embora oscilante, acaba por ser unânime: o desenvolvimento da nova sociedade portuguesa está a depender da absorção da idéia na classe média emergente e consumista de que os tamancos necessitam de revestimentos high-tech. Muitos jovens já usam tamancos Nike, com solados anatômicos e suspensão hidráulica. Uma nova onda nasce nos subúrbios: tamanco-skate, com rodinhas de polietileno, dispensando completamente o uso das pranchas dos skates convencionais. As variações são infinitas: tamanco-celular, tamanco-bluetooth, tamanco-3D, tamanco-wireless, tamanco de plasma, tamanco com GPS e até mesmo os novíssimos tamancos-robôs que não precisam ser calçados porque andam sozinhos.
            Como corolário desta infausta situação, somos forçados a concluir que o baiano que aqui chegou morto, perdeu a viagem, não podendo portanto, tentar nada de extraordinário por aqui. E nem mandar notícias, o que é horrível, já que elas permanecem por aqui sem um destino certo.
            É o retrato do Brasil de hoje: só nos resta a língua da portuguesa.

Beijos do amigo,
Henrique

PS. Para quem quiser maiores informações e nunca comprar o Jornal Agora (e nem depois) acesse o site:http://www.alinguadaportuguesanaotembuço.com.pt.


Esclarecedora contribuição da acadêmica Malu de Oliveira Freitas, em 07.12.2006.

Queridos amigos acadêmicos,

  Admira-me que vocês não saibam, mas um pedreiro morto, não é o mesmo que um baiano morto, já que baiano nasce imortal, como o nosso queridíssimo Jorge Amado.
  Naturalmente, o pedreiro era piauiense, já que esse estado andou sumindo do mapa algumas vezes.
  Agora, a questão da língua da portuguesa, só mesmo o Sr. Manuel para responder.

  Beijinhos
  Malu

                                                                ===============

Pra onde vão as palavras?

Gretel Eres Fernández

Eu queria saber pra onde vão certas palavras depois que caem no esquecimento. Não aquelas palavras arcaicas, do tempo da minha avó e que nem mesmo ela usava porque eram do tempo da avó dela. Falo daquelas palavras, expressões e modismos que todo mundo usa e abusa como se não houvesse nenhuma outra forma de dizer a mesma coisa. Quer um exemplo? Lá vai: . Houve uma época em que  praticamente deixou de significar “sozinho” ou “somente” e passou a querer dizer “sim”:
- Gostou do filme?
.

- Legal essa música.
.

 voltou a ter seu significado original para mim apenas quando cansei de ouvi-la de um namoradinho que a repetia como resposta a qualquer pergunta:
- Você gosta de mim?
.
- Vamos tomar um sorvete?
.
- O dia tá bonito, né?
.
Me enchi e resolvi deixá-lo só. Tudo bem que eu também fiquei sozinha, mas foi só.


Depois começaram a usar uma palavra tipo... tipo, que podia também vir seguida de assim:
- Seu primo é bonito?
- Ele é tipo assim, um cara simpático.

- Eu comprei um vestido vermelho tipo vestido mesmo.


Acho que foi nessa mesma época quando alguém deve ter sentido falta de clareza nas frases e começou a duplicar o sujeito, acho que para que não houvesse nenhuma dúvida. Tipo assim: começa-se uma frase, coloca-se o sujeito e depois um ele ou ela, se o sujeito em questão for masculino ou feminino. Quer dizer, a concordância, ela se mantém. Mesmo os jornalistas, economistas e professores, eles também fazem questão de deixar isso muito claro. .


Mas o tempo passa e com certeza as coisas mudam. Esqueceram o , deixaram um pouco de lado formas redundantestipo sujeito duplicado, e todos passamos a ter certeza de quase tudo:

- O senhor está satisfeito com meu trabalho na empresa?
Com certeza!
No dia seguinte fui demitida...


Aí fui trabalhar numa empresa de telemarketing, mas não passei na experiência, acho que por pura incompetência minha: sempre fui incapaz de estar usando o gerúndio o tempo todo. Mesmo assim resolvi que devia processar a firma. Liguei para o sindicato e eles me animaram:

Estarei transferindo sua ligação para o setor correspondente. Por favor, aguarde.
Aguardei. Cinco minutos depois outro atendente simpático me disse:
- O encarregado desses assuntos não vai poder estar atendendo a senhora no momento.
- Não faz mal. Eu espero na linha. Será que ele demora?
- Ele deu uma saidinha, só volta no fim da tarde.
(Mas são 10 horas da manhã! Saidinha até o final da tarde? E durante o horário de trabalho?)
- Tem outra pessoa com quem eu possa falar?
Vou estar verificando. Só um minutinho!
Dez minutinhos depois...
- Senhora, obrigado por aguardar.
(Convenhamos, pelo menos o pessoal é educado.)
- Infelizmente todos os atendentes estão ocupados no momento. Mas deixe seu telefone que nós estaremos retornando a ligação mais tarde.
- Vocês vão me ligar?
Com certeza!

Claro que nunca me ligaram, mas não me incomodei. Afinal, o simples fato de ter falado com alguém já me deixou feliz. Cá entre nós, não é nada fácil conseguir falar com uma pessoa tipo de carne e osso, e prefiro ouvir que estarão fazendo algo do que aquela musiquinha chata... E, pensando bem, até que a nível de ligações telefônicas, essa não foi tão ruim assim.


Dias depois comentava o caso com uma amiga quando ela, de repente, olhou o relógio e me disse, muito aflita:

- Nossa! Estou súper atrasada para um compromisso. Fui!

E saiu correndo. Nem se despediu. Não sei exatamente pra onde ela tinha que ir, mas sei que só conseguiu ir uns cem metros adiante, até ficar presa no congestionamento...
Imagino que ela deve ter ficado muito nervosa, por conta da alteração nos seus planos, já que chegaria atrasada seja lá onde fosse. E o que é pior: se demorasse muito no trânsito com certeza amarrotaria o pretinho básico que usava naquele dia. Mas isso era só um pequeno detalhe, coisa de pouca importância...



É isso: as palavras, elas adquirem, com certeza, novos significados, tipo significados diferentes, a nível de sentido mesmo, mas a sorte é que logo logo eles vão estar mudando. São pequenos detalhezinhosbásicos, mas por contadeles muitas vezes ficamos sem saber o que as pessoas estão querendo dizer...
E por falar nisso, eu continuo sem saber o que acontece com certas palavras quando elas deixam de ser usadas... Mas chega. Agora também estou atrasada. Então, fui!!!!

Os Signos e o Natal

Malu de Oliveira Freitas

Cenário: árvore, caixa de enfeites, presentes


Áries entra correndo...
- Ninguém arrumou nada? Não acredito!
Cadê os enfeites?

Touro
- Calma, acabei de comprar essa linda árvore! E custou caro!
Podem ir me reembolsando.

Gêmeos mexendo em tudo e palpitando
- Ei, pessoal! Qual vai ser a hora do amigo secreto?
 Eu comprei um presentão na loja de R$1,99.

Câncer com sua câmera digital, fotografando tudo
- É tão bom sentir o cheiro do pinheiro, me lembra o Natal...snif!

Leão
- Sem choro! Hoje é dia de festa! Eu quero brilho, muito brilho!

Virgem de avental
- Tenham paciência! Eu ainda nem varri a sala!
-Alguém já colocou o nome nos presentes?

Libra entra toda enfeitada, parecendo uma árvore de Natal
- Posso abrir os presentes?

Escorpião todo de preto
- Não!!! Só à meia-noite. Quer estragar o mistério?

Sagitário chega tropeçando e quebrando enfeites
-O que eu posso fazer?

Capricórnio plantando a árvore no vaso...
- Cuidado!!! Se for enfeitar, não beba!

Aquário com roupa de Woodstock
- Que barato ver os amigos reunidos!

Peixes vestido de Merlin e cantando...botei meu sapatinho na janela...
- Vocês acreditam em Papai Noel ?

                                                                          * * *



                                                                          * * *

2 comentários:

  1. Meus amigos.
    Precisamos aprender a entender o que se passa na língua portuguesa nos dias atuais.
    Já era ..até logo ,ou até mais,agora é xau. não entendi até agora se é tchau, txau ou xauxauxau.é capaz de ter sido coisas dos chineses.o linguajar no face está ótimo! Podemos extravasar nossas neuras.Porra,vá se ferrar,vá se fuder, fica tão interessante no face....acho que nós acadêmicos estamos entrando nessa.Kikikiki,significa estou rachando o bico.Ce significa você,manjou? Antigamente, voce era com acento agora tiraram o acento e por aí vai indo a nossa cultura. Estou entrando nessa. Quando estou com maus bofes, solto os cachorros.Vou pro face. Escrevo tanta besteira... e compartilho tantas mensagens engraçadas e bem picantes.Pasmo, mas logo respondo no kikiki Fico pensando... como essa molecada amanhã vai escrever corretamente? Mas cá pra nóis, a língua portuguesa tá bombando!Galera, se liga!Abobrinha agora tá na moda. Xauxau.Fuiiiiii....kikikiki.Na boa...Etcha mundo bão......Vamu nessa mano?tô me atualizando, né?

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  2. CAROS AMIGOS ACADÊMICOS. VOCÊS ME DERAM A CHANCE DE CONCRETIZAR MEU SONHO.
    TORNARAM-ME IMORTAL...GRATIDÃO!
    MAS, DEPOIS DESSE COMENTÁRIO ESDRÚXULO ACHO QUE VÃO ME MATAR!
    SORRY FELOWS!

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